quarta-feira, 20 de maio de 2009

Folha de São Paulo 12/04


Diário do Nordeste 12/04


Folha Metropolitana 29/04











TRATAMENTO DE REABILITAÇÃO AUMENTA A QUALIDADE DE VIDA DE

A morte do deputado e estilista Clodovil Hernandes chamou a atenção da sociedade para o AVC, Acidente Vascular Cerebral, doença neurológica que afeta milhares de pessoas anualmente. Estima-se que o trauma tenha sido responsável por 10% do total de mortes em 2008 no mundo todo. Nos Estados Unidos são registrados cerca de 750 mil casos todos os anos.
Apesar das altas taxas de mortalidade, muitas pessoas sobrevivem ao AVC, mas, geralmente, com sequelas motoras e mentais que prejudicam consideravelmente a qualidade de vida, tornando-as, muitas vezes, dependentes de ajuda para suas atividades diárias. Os tratamentos de reabilitação atuais, no entanto, permitem que boa parte destes pacientes recupere o bem estar após o trauma.

O que é O AVC?
O Acidente Vascular Cerebral é a interrupção do fluxo sanguíneo em direção ao cérebro que provoca a falta de circulação em determinada área levando a morte do tecido cerebral.
Ele pode ser de dois tipos:
Isquêmico: quando há apenas a interrupção em uma das artérias do cérebro, impedindo a circulação sanguínea; há a falta de oxigênio na região cerebral afetada
Hemorrágico: quando ocorre o rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo do cérebro, provocando um sangramento na região afetada

AVC é o mesmo que derrame?
Sim. O acidente é conhecido assim por conta do seu tipo hemorrágico, que causa um sangramento ou “derramamento de sangue”.

O estresse pode causar AVC?
Sim. Além do estresse, os fatores de risco para o acidente são colesterol alto, hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, histórico familiar, ingestão de álcool, vida sedentária e obesidade. Portanto, a melhor forma de evitar o AVC é levar uma vida saudável, com alimentação balanceada, exercícios físicos e atividades relaxantes.

Que sequelas o AVC pode causar?
Cerca de 50% das pessoas que sobrevivem ao AVC evoluem com seqüelas graves, incluindo perda de funcionalidade, dependência parcial ou completa para as atividades do dia-dia, prejudicando muito a qualidade de vida.
O paciente perde força muscular, perde capacidade de coordenação motora, desenvolve contraturas articulares bastante doloridas e anormalidades do tono muscular.
Podem ocorrer também paralisia total ou parcial (de um lado do corpo), alteração da fala, alterações visuais e alterações de memória.

O que é a espasticidade?
A espasticidade é uma das sequelas mais comuns do AVC e se caracteriza pelo aumento do tônus muscular e pela excessiva contração dos músculos. Os sintomas variam desde uma leve contração até uma deformidade severa, que afeta a mobilidade, tornando os pacientes dependentes de ajuda para atividades rotineiras, como andar, comer e vestir-se.


Que tipos de tratamentos são realizados para recuperar a qualidade de vida das pessoas vítimas de AVC?
Por volta de 10% dos pacientes apresentam uma recuperação espontânea quase completa, 10% não têm benefício com qualquer forma de tratamento e 80% se beneficiam com a reabilitação.
Desde a fase aguda, o acompanhamento de uma equipe multiprofissional de reabilitação precisa ser realizado, com intervenções neurológicas, fisiátricas, fisioterapêuticas, fonoaudiológicas e de terapia ocupacional.
Na fase crônica, intervenções medicamentosas como os relaxantes musculares orais, o bloqueio neuromuscular com a Toxina Botulínica Tipo A (mais conhecida pelo nome comercial BOTOX) e o uso de órteses de posicionamento também promovem benefícios.
Há casos em que são indicadas cirurgias, para o alongamento de tendões encurtados pela rigidez muscular persistente.
Realizados em conjunto, de forma coordenada e interdisciplinar, todos estes métodos podem promover ganhos funcionais e na qualidade de vida dos pacientes

Como o Botox contribui para a reabilitação?
A Toxina Botulínica é muito popular por suas indicações cosméticas no tratamento das rugas de expressão. Mas, antes mesmo de ser utilizado para este fim, o medicamento já contribuía com a reabilitação de pacientes com sequelas motoras como a espasticidade.
Aplicada diretamente nos músculos comprometidos, o medicamento provoca um relaxamento da musculatura e bloqueia a atividade motora involuntária, o que reduz a dor e aumenta a amplitude de movimento do paciente. Esta melhora é fundamental em todas as etapas do tratamento, pois permite que membros afetados sejam manejados de forma mais adequada pela equipe de reabilitação. Além disso, pode reduzir o uso de medicação antiespástica e, retardar ou evitar intervenções cirúrgicas. É importante saber que a aplicação de Botox é apenas uma etapa de um tratamento que deve ser multidisciplinar.
Para o paciente, os benefícios são muitos e relacionados sempre à recuperação da qualidade de vida. O tratamento de reabilitação melhora as atividades funcionais, como a marcha, movimentação voluntária, permitindo que o paciente retome suas atividades diárias de forma independente.

Diário de São Paulo 20/05


Folha de São Paulo 30/03


Ana Maria 07/05


Correio do Estado 11/05


Expresso Popular 11/05


DISTONIA NÃO É TIQUE NERVOSO

A doença causa contrações musculares involuntárias e afeta a mobilidade e a
qualidade de vida dos pacientes



Movimentos bruscos dos membros, espasmos no pescoço, braços, tremores das mãos ou piscadas repetidas dos olhos. Muito confundida com tique, a Distonia é uma doença neurológica que provoca contrações musculares involuntárias quase sempre acompanhadas de dor, resultando movimentos e posturas anormais que afetam muito a qualidade de vida dos portadores.

No próximo dia 6 de maio, quarta-feira, Dia Nacional da Distonia, a Associação Brasileira de Portadores de Distonia chama a atenção da população sobre a doença e destaca a existência de tratamentos de reabilitação que permitem aos pacientes recuperar o bem estar e ameninar os sintomas.

Diferente do tique nervoso, que é uma manifestação semi-voluntária, ou seja, a pessoa tem controle sobre o gesto, a Distonia produz contrações musculares involuntárias em determinadas regiões do corpo. Como conseqüência, o portador pode ficar impossibilitado de andar, dirigir e realizar suas atividades básicas como tomar banho, escovar os dentes ou comer, tornando-se, em alguns casos, dependente de alguém para tais atividades. Além das limitações físicas, a doença afeta a auto-estima dos portadores, podendo levar à exclusão social, ansiedade e à depressão.

Os espasmos podem afetar uma pequena parte do corpo como os olhos, pescoço ou mão (distonias focais), duas partes vizinhas como o pescoço e um braço (distonias segmentares), um lado inteiro do corpo (hemidistonia) ou todo o corpo (distonia generalizada).

Na maioria das vezes, a causa da disfunção não é conhecida, mas acredita-se que os movimentos anormais sejam o resultado de uma disfunção de uma parte do cérebro, causando a contração excessiva e involuntária dos músculos.

Tratamento
A falta de conhecimento sobre a doença e o fato de ser, às vezes, considerada um tique, faz com que muitas pessoas não procurem orientação médica e vivam com sintomas tão debilitantes. Casos mais graves de distonia nos olhos (blefaroespasmo), por exemplo, podem levar à cegueira funcional.

Não existe cura para a distonia, mas há tratamentos disponíveis auxiliam na melhora da qualidade de vida dos pacientes acometidos. O tratamento é direcionado para aliviar os sintomas das contrações, dor, posturas e movimentos anormais provocados pela doença.

As técnicas empregadas dependem do tipo de distonia: os pacientes podem fazer uso de medicamentos via oral e, em alguns casos, o médico pode considerar a indicação do tratamento cirúrgico.

Um dos tratamentos mais eficazes para a distonia em adultos é o uso da toxina botulínica tipo A, mais conhecido pelo nome comercial BOTOX®. Aprovado há 17 anos para o tratamento da Distonia, o medicamento é injetado diretamente nos músculos, inibindo a liberação de um neurotransmissor (acetilcolina) que envia a mensagem do nervo para o músculo promovendo a contração muscular. A aplicação da Toxina Botulínica atenua estas contrações, as dores, ajuda a corrigir a postura e os pacientes recuperam o bem estar. O efeito é temporário e o tratamento pode ser repetido aproximadamente a cada três ou quatro meses de acordo com as necessidades.

O tratamento com a toxina botulínica é disponibilizado pelo SUS (Sistema Público de Saúde) em hospitais de todo o País e o medicamento é reembolsado pelos planos de saúde. A Lei 9656/98 assegura o uso terapêutico da toxina botulínica, mas grande parte das pessoas desconhece este direito, o que sobrecarrega o sistema público.

O Dr. Delson Silva, neurologista coordenador do Centro de Referência em Transtornos do Movimento do Núcleo de Neurociências do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, destaca que os recursos oferecidos pelo governo para o tratamento da Distonia são de primeiro mundo, mas é preciso conscientizar a população sobre a existência da doença e dos tratamentos.

Sobre a Associação Brasileira de Distonia
Fundada em 6 de maio de 1992, a ABPD é uma entidade sem fins lucrativos formada por uma diretoria, um conselho médico, um conselho fiscal e uma equipe de voluntários. A Associação tem como objetivo orientar pacientes com distonia e também auxiliar seus familiares fornecendo informações relevantes para aos vários tipos de distonias e divulgando resultado de pesquisas médicas sobre o tema.

A entidade possui um amplo número de colaboradores, em todo país e conta com um grupo de médicos que alimentam o site da entidade com seus artigos e orientações médicas. Ligados aos mais renomados Hospitais, eles prestam atendimento aos pacientes cadastrados na Associação contribuindo para o bem estar físico e psicológico dos pacientes. Hoje, a associação ajuda aproximadamente 400 inscritos, além dos familiares.

A ABPD trabalha para reunir e atender todos os portadores ou familiares que procuram a instituição. Para entrar em contato com a Associação, o paciente pode enviar carta para C-261, nº 103. Setor Nova Suíça / CEP: 74280-240. Goiânia – GO ou telefonar para (62)3945.3014 ou (11) 3586.1710. Outro canal de comunicação para os interessados é o acesso ao portal: www.distonia.org.br.

REVISTA KAIROS 01.05